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Apontamentos da Nossa História: 'José Coelho da Silva Júnior (1812 - 1874), Presidente da Câmara Municipal de Paredes'

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19 Fevereiro 2026

A 22 de janeiro de 1812 nasceu na Casa do Ermo em Castelões de Cepeda no antigo concelho de Aguiar de Sousa, José Anastácio Coelho da Silva, filho do major José Coelho da Silva e de Rita de Cássia Moreira.

Era sobrinho por afinidade do capitão Sérgio Morais Alão, que, para além de ter sido procurador do concelho à Junta Geral do Distrito do Porto, participou no desembarque das tropas liberais na praia de Pampelido, em Matosinhos, a 8 de julho de 1832. Este contingente ficou conhecido como o dos "Bravos do Mindelo", nome dado aos cerca de 7500 soldados comandados por D. Pedro IV de Portugal.

José Anastácio Coelho da Silva era irmão do padre António Alberto Coelho da Silva, cavaleiro da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo e pároco de Castelões de Cepeda. Foi este religioso quem celebrou o casamento entre José Guilherme Pacheco e Joana Augusta de Magalhães.

A 25 de setembro de 1833, com 21 anos, casou-se com Genoveva Norberta Barbosa na capela da Senhora da Guia, ao lado da sua casa. Passados nove meses, o infortúnio abateu-se sobre o casal. A 25 de junho de 1834, a sua esposa morreu na Casa do Ermo e foi sepultada no adro da antiga igreja de Castelões de Cepeda, como era habitual na época.

Mais tarde, veio a contrair um segundo matrimónio com Maria Joaquina Coelho Barbosa, com quem teve nove filhos.

José Coelho da Silva faleceu na sua Casa do Ermo a 21 de fevereiro de 1874, aos 62 anos, tendo ficado sepultado no interior da Capela de Nossa Senhora da Guia, em Castelões de Cepeda.

Curiosamente, ao longo dos anos, foi alterando a sua assinatura, retirando nomes e apelidos, e acrescentando outros. Foi batizado com o nome José Anastácio Coelho da Silva, devido ao laço de afeto com José Anastácio da Silva Fonseca, da Casa da Aveleda. Quando se casou, deixou de usar o nome próprio "Anastácio" e passou a usar o apelido "Júnior". Após o falecimento do seu pai, alterou novamente a assinatura, deixando cair o "Júnior" e assinando, desde então, como José Coelho da Silva.

VIDA PÚBLICA

José Coelho da Silva Júnior é um daqueles casos que o tempo e a História acabaram por esquecer.

Além da sua vida profissional como lavrador proprietário, que o colocou entre os quarenta maiores contribuintes do concelho, exerceu vários cargos públicos. Foi presidente da câmara em três ocasiões distintas, vereador por diversas vezes, inclusive vereador fiscal, presidente de assembleias eleitorais em várias freguesias do concelho, informador/louvado da contribuição de Castelões de Cepeda, vogal efetivo da junta de contribuição predial e juiz de paz do distrito de Castelões de Cepeda por inúmeras vezes.

A sua primeira presidência resultou do facto de ser vereador fiscal, o equivalente ao atual cargo de vice-presidente. A ausência do presidente da câmara, João Pacheco de Sousa e Silva, entre 17 de novembro de 1841 e 27 de abril de 1842, levou José Coelho da Silva Júnior a assumir a presidência de forma interina durante 161 dias. Neste período, a nível nacional, ocorreu um golpe de Estado levado a cabo pelo ministro da Justiça, Costa Cabral, a 27 de janeiro de 1842, com o objetivo de restaurar a Carta Constitucional de 1826. Paredes aderiu de imediato a esta revolta e aclamou a Carta Constitucional nos Paços do Concelho. Além do presidente interino, José Coelho da Silva, que aclamou a rainha D. Maria II e a Carta Constitucional, também estavam presentes os vereadores, o administrador do concelho, o clero, a nobreza e o povo.

O facto de a câmara municipal ter aderido rapidamente e festejado de forma popular, com música e foguetes, mas também de forma solene, com uma cerimónia de Ação de Graças, mostrava o seu apreço pela rainha e pela Carta Constitucional. Este gesto de afeto foi muito bem recebido pela monarca, que mais tarde o levou em consideração.

Iniciou o seu segundo mandato a 2 de janeiro de 1843, embora este fosse o primeiro em que tinha sido eleito para dirigir os destinos do concelho. Este mandato ficaria para sempre marcado na história de Paredes pela elevação de Castelões de Cepeda a vila. O tabelião Augusto César de Magalhães solicitou à câmara que enviasse um pedido de atribuição do título de vila a Castelões de Cepeda, o qual foi aceite pela edilidade. Deste modo, por alvará de 31 de janeiro de 1844 e carta régia de 7 de fevereiro do mesmo ano, a rainha D. Maria II fez saber que elevava Castelões de Cepeda à categoria de vila, justificando tal com a qualidade dos edifícios, entre os quais a câmara municipal, a qualidade do comércio ou o número de habitantes. A rainha fez questão de acrescentar o afeto que nutria por esta terra, dizendo: "em consideração os claros testemunhos que estes Me teem dado da sua nobre devoção ao Throno e á Carta Constitucional da Monarchia".

A apresentação da Carta Régia à Câmara coube ao capitão Sérgio de Morais Alão, procurador do concelho de Paredes à Junta Geral do Distrito do Porto. Durante o seu discurso, alertou para os interesses externos ao concelho, nomeadamente dos concelhos vizinhos, que, de forma desleal, se preparavam para dividir o concelho de Paredes, bem como para os interesses internos que pretendiam a deslocação da sede do concelho para outra freguesia mais central.

Juntamente com a elevação da sede do concelho a vila, o executivo liderado por José Coelho da Silva adotou várias medidas regulamentares relativas a talhos, ao alinhamento das feiras de Paredes, Baltar e Recarei, à caça, à pesca e até às pastagens de ovinos e caprinos. Outra postura importante foi a arrematação dos impostos indiretos.

Neste mandato, a câmara recebeu um louvor da Junta Geral do Distrito pela pontualidade com que as quotizações lançadas para os expostos e despesas gerais do distrito entraram no cofre do distrito no ano económico transato.

Em 1854, José Coelho da Silva foi novamente eleito presidente da Câmara, para mais um biénio.

Novamente pairavam tempos adversos para a manutenção territorial do concelho de Paredes, uma vez que estava prevista uma reforma administrativa para 1855. Deste modo, e a pedido de José Guilherme Pacheco, a câmara reuniu publicamente com as juntas de paróquia, os regedores e os populares para rejeitar a anexação ao concelho de Penafiel. A ata final foi assinada por mais de quinhentos cidadãos e o resultado final perdura até aos dias de hoje, com os atuais limites administrativos do território de Paredes.

A visão de José Coelho da Silva Júnior, para o desenvolvimento do concelho de Paredes foi sendo implementada de forma transversal a todo o território e com uma perspetiva não centralista. Um exemplo disso é o seu protesto contra o futuro traçado de uma nova estrada entre o Porto e Penafiel, que previa a sua construção na cota mais elevada da Serra do Muro de Vandoma/Baltar, em vez de privilegiar os vales, onde se concentrava a maioria da população. Outra decisão importante durante o seu mandato foi a construção de um cemitério para servir as populações de Besteiros, Castelões de Cepeda, Madalena, Mouriz e Vila Cova de Carros. A localização escolhida foi o monte da Bouça, central a estas freguesias. No entanto, este cemitério nunca foi concluído. Acabou por ser construído no lugar da Longra, que é a atual localização do cemitério municipal e só ao fim de três décadas

No seu último mandato como presidente, em 1855, foi criada a freguesia de Recarei.

Em 2024, foi atribuído o seu nome a uma rua perto da sua casa e onde se encontra sepultado.

A elevação da sede do concelho a vila ficará certamente perpetuada na história local contemporânea como a página mais visível dos seus mandatos. No entanto, foram aprovadas várias posturas importantes que visavam regulamentar algumas áreas onde imperava a ausência de regras ou diretrizes, não garantindo equidade entre os munícipes.

 

Bibliografia:

COSTA, Cristiano coord.- Presidentes da Câmara Municipal de Paredes. Paredes: Município de Paredes, 2017.

SOUSA, Gomes de – Genealogia de António Alberto Coelho da Silva. Policopiado. Porto, 2008.

Atas de reunião da Câmara Municipal de Paredes

Fevereiro 2026

João Vieira

Conteúdo atualizado em19 de fevereiro de 2026às 17:05
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