Passar para o Conteúdo Principal

município

Câmara Municipal de Paredes (voltar ao início)

videopromocional

siga-nos Página do Facebook (abre numa nova janela) Página do Instagram (abre numa nova janela) Página do RSS feed (abre numa nova janela)

Portal de divulgação de informação autárquica, incluindo agenda, regulamentos e atendimento.

Apontamentos da Nossa História | A exploração mineira de ouro no concelho de Paredes

21 Julho 2022

Os recursos geológicos, desde longa data, têm sido aproveitados pelo homem em benefício próprio e o ouro não escapou a esta desenfreada procura. Desde o dia em que a primeira pepita brilhante foi apanhada, o ouro tornou-se uma atração poderosa e cobiçada.

No concelho Paredes a presença de ouro é manifestamente conhecida, com a sua exploração pelo menos desde o tempo dos Romanos.

Geologicamente, esta região está inserida numa megaestrutura designada por Anticlinal de Valongo e enquadrada no Distrito Mineiro Dúrico-Beirão, considerado o segundo maior distrito mineiro produtor de ouro do nosso país (com base os registos mineiros existentes e excluindo o ouro explorado pelos romanos), com cerca de 5.6t desse metal produzido.

Na região a sul e sudoeste do Concelho de Paredes, abrangendo essencialmente as freguesias da Aguiar de Sousa e Sobreira, podemos encontrar vestígios da atividade mineira desenvolvida neste território ao longo dos tempos, com principal destaque para o Couto Mineiro das Banjas e as Minas de Castromil e de Serra da Quinta. Importa referir que estas áreas correspondem a concessões mineiras que, em alguns casos, foram definidas a partir de meados do século XIX e que coincidem com os trabalhos deixados pelos romanos.

As evidências arqueológicas, ligadas à mineração no território de Paredes, estão relacionadas com os trabalhos de exploração subterrânea e a céu aberto, essencialmente sobre os filões mineralizados desde o afloramento até várias dezenas de metros de profundidade. Muitas vezes utilizando um sistema de galerias e poços de secção quadrangular (1,5-2m de lado, podendo alcançar os 60m de profundidade), que permitia a evacuação do minério e das águas, assim como a ventilação.

Existe ainda o espólio arqueológico recolhido à superfície, em trabalhos e estudos de prospeção arqueológica, que conta com:

» materiais cerâmicos: de construção – coberturas e pavimentos; doméstico – lucernas, fragmentos de pratos, panelas, cântaros e sigillata

» materiais líticos: mós circulares graníticas e apiloadores aplíticos, fragmentados ou inteiros

» materiais metálicos: referência ao aparecimento de moedas, uma delas do tempo de Constantino.

Importa, ainda, referir que nos trabalhos desenvolvidos para o estudo e conhecimento destas áreas mineiras, constatou-se a presença de povoados-oficina associados às galerias romanas, revelando a realização in loco do tratamento mecânico do minério - trituração e moagem - com recurso às mós e aos apiloadores.

O estudo destas evidências permitiu estabelecer que a exploração mineira de ouro remonta, pelo menos, à presença dos romanos, assim como podemos, ainda, mencionar que alguma documentação escrita do século XVIII e do início do século XIX faz referências a estes trabalhos remetendo-os também para esse povo, atestando a conclusão de estudos recentes que apontam para que façamos parte (juntamente com as minas de Valongo e Gondomar) do maior complexo de exploração mineira subterrânea do Império Romano.

O interesse por estas áreas permaneceu até aos nossos dias e isso é possível verificar através dos pedidos de concessão para a exploração de ouro e outros metais, a partir da segunda metade do século XIX, que levou à construção do Complexo Mineiro das Banjas, um conjunto de estruturas que serviram de dormitório para os mineiros, escritórios e lavarias para o minério.

Desde o início do século XX até à atualidade foi dispensada grande atenção às áreas mineiras do Concelho Paredes, materializando-se em trabalhos de exploração, ou mais recentemente em trabalhos de prospeção e pesquisa.

Esta é uma região rica, não só em ouro, mas também em outros metais (ex. chumbo, antimónio, prata, estanho,…) que levou à sua exploração desde o tempo dos romanos até aos nossos dias, deixando-nos um passado de história mineira e um património Geomineiro de grande relevância.

Natália Félix

21 de julho de 2022

Referências bibliográficas:

CARVALHO, J. S., FERREIRA, O. V., 1954 – Algumas Lavras Auríferas Romanas. «Estudos, Notas e Trabalhos». Serviço do Fomento Mineiro. Porto. Vol. 9, 1-4, p.20-57.
COUTO, H. (2014) - Ouro explorado pelos Romanos em Valongo: controlos das mineralizações auríferas. In: Atas do 1º Congresso de Mineração Romana em Valongo. Valongo: Alto Relevo – Clube de Montanhismo e Câmara Municipal de Valongo

COUTO, H. (1993) – As mineralizações de Sb-Au da região Durico-Beirã. Porto: Faculdade Ciências da Universidade Porto. 2vols, p.607. Tese de Doutoramento

LIMA, A.; MATIAS RODRÍGUEZ, R.; FÉLIX, N; SILVA, M.A. (2011) - A Mineração Romana de ouro no Município de Paredes: o exemplo da Serra de Santa Iria e Serra das Banjas. In. Actas do VI Simpósio sobre Mineração e Metalurgia Históricas no Sudoeste Europeu (Vila Velha do Ródão - 2010). Abrantes, p. 125-142

MATIAS RODRÍGUEZ, R. (2014) - La minería del oro en el Imperio Romano y su puesta en valor: contextualización e importancia de la minería aurífera romana en el área ValongoParedes. In: Atas do 1º Congresso de Mineração Romana em Valongo. Valongo: Alto Relevo – Clube de Montanhismo e Câmara Municipal de Valongo
SOEIRO, T. (1984) – Monte Mózinho - Apontamentos Sobre a Ocupação entre Sousa e Tâmega em Época Romana. Penafiel - Boletim Municipal de Cultura. Penafiel. 3ª Ser., 1, p. 108-121.

 

Conteúdo atualizado em21 de julho de 2022às 10:50
Voltar ao topo da página