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Apontamentos da Nossa História: Jogos e Brincadeiras Tradicionais Populares - Paredes

20 Março 2026

No dia 19 de março, para além de se comemorar o Dia do Pai, também se comemora o Dia Mundial do Artesão. Em Rebordosa, há já a alguns anos uma oficina de artesanato feito em madeira, um espaço único (museológico vivo) onde há dezenas de exemplares de materiais de jogos e brincadeiras dos nossos antepassados. Resta-nos agradecer a sua dedicação, ajudar a divulgar e a viabilizar a sua sustentabilidade, numa competição com um mercado dominado por uma globalização sem identidade e a indústria asiática. Um local digno de uma visita demorada, emocionante e multissensorial.

Há já alguns anos que se concluiu que, também por cá, era urgente começar a estruturar uma recolha de artefactos lúdicos, jogos e brinquedos tradicionais populares de outrora, pois a quantidade de ofertas de aculturação, a atração pelas modas, novas tecnologias e tendências de diversão, iria atirar para o esquecimento as diversões da nossa infância e mormente os entretenimentos do nossos pais e avós.

Por cá, a dinâmica de promoção de intercâmbios entre escolas e freguesias já foi mais evidente. Que saudades das "competições de andas" cá em Paredes. Contudo, o tempo passa, as prioridades mudam e há sempre algo que fica para trás. Passou à história, como diz o povo.

Os Amigos da Cultura de Paredes vieram acordar moderadamente, poderá ser uma tentativa de despertar a nossa memória na primeira pessoa e in loco, promovendo mensalmente dinâmicas de recuperação de jogos e brincadeiras da infância, aberta à comunidade.

Em meados do Séc. XX, em 1947, no periódico Douro-Litoral (Boletim da Comissão Provincial de Etnografia e História), segunda série - VII, o professor Tomás Augusto Pinto de Barros1 publicou um artigo sobre os jogos da escola masculina de Beire (Paredes), em apenas duas páginas, da 40 a 41, sobre o "O peão", "Jogo do botão", "Jogo da barra" e "Alerta". É pouco para já, mas vamos procurar mais!

Se tivesse ido avante o nosso aviso que foi lançado à autarquia, aquando do aparecimento da petanca em Rebordosa e Lordelo, mesmo antes da criação dos campos junto ao rio Ferreira (Lordelo) e na ribeira da Ínsua (Rebordosa), nós hoje ainda teríamos as competições de malha e não só.

Com a nova recolha do Cancioneiro de Paredes, com este atual executivo da área cultural (camarário), foram aparecendo nas entrevistas algumas referências a brincadeiras de outros tempos, tal como pudemos testemunhar. Urge fazer uma recolha sistemática e profissional (história, antropologia, etnografia, etc.) dessas atividades populares. Urge colecionar os artefactos que se estão a perder, a vender, a deixar fugir.

No passado dia 6 de fevereiro, em Ponte de Lima, no I Congresso Internacional sobre o Brinquedo “Brinquedo, Património e Identidade Cultural: vínculos de história e memória coletiva”, foi dado mais um passo na nossa perceção do estado da arte em Portugal e também na Galiza (Espanha).

Teremos muito conteúdo para a investigação e recolha, até porque os nossos equipamentos culturais estão a crescer em número e em qualidade. Era tão bom haver um núcleo de jogos e Brincadeiras Tradicionais Populares no novo Museu do Mobiliário, em Vilela. Há dezenas de jogos que eram feitos nas oficinas de marcenaria, nas pausas, à socapa ou fora de horas pelos artífices da nossa região. O Atelier de artesanato de Luís Sousa de Rebordosa será

um exemplo perfeito onde se exerce a maestria dessa arte de reproduzir ou mesmo de recriar objetos lúdicos.

Na revista cultural Orpheu Paredes2, nas redes sociais da CM de Paredes e até numa presença na BTL em Lisboa com demonstração de jogos, e ainda em algumas dinâmicas em feiras quinhentistas (ex: Baltar ou Sobrosa), houve já a possibilidade de se darem alguns passos em frente, mas ainda há muito para jogar e brincar. Teremos de ser persistentes, a concorrência para a ocupação dos tempos livres das crianças e jovens, é muitíssimo forte! O núcleo de Jogos e Brincadeiras Tradicionais e Populares de Paredes, poderá ser uma nova esperança, um novo élan!

O projeto “Recreios com vida” do programa Eco-escolas e a popularidade das posições públicas do professor Carlos Neto sobre a necessidade do brincar no exterior, irão por certo ajudar muito na revitalização dos jogos tradicionais populares. Nomes como Vieira Dinis e José Neto (da nossa região) e António Cabral, João Amado e Raúl Iturra (de outras paragens), entre outros, ficarão para sempre na nossa memória e acervo, como exemplos de dedicação à preservação e promoção do nosso património lúdico local. Bons exemplos não faltam, em Alfena, Cernache, Ponte de Lima, Seia, Caramulo, etc…

Já há muito tempo que temos testemunhado a existência de registos das formas de brincar, desde o quadro paradigmático "Jogos Infantis" de Pieter Bruegel (1560), e não só. Por agora, recomendamos a leitura do novo livro de João Amado "Brincar ao arco e à rodinha mágica - dentro de estórias gregas e romanas" (2025) e os dois volumes "A arte de fabricar brinquedos em Portugal...", um dedicado a Alfena e Ermesinde, outro dedicado ao brinquedo de plástico (2025). Seria muito pertinente um volume similar "A arte de fabricar brinquedos em madeira em Paredes". Teremos nós capacidades para verter em livro ou noutro formato os testemunhos e registos já efetuados junto dos Amigos da Cultura de Paredes e junto dos familiares dos alunos, no âmbito da disciplina de educação física e no desporto escolar!? Esperemos que sim!

 

1) o professor lecionou na Escola primária de Beire desde 1938, e era natural de Ferreira (Paços de Ferreira) e residente em Lagoas (Nevogilde - Lousada), informação contida na Magazine Cultural de Dezembro de 2024, pág. 7.

2) artigo “Jogos e brincadeiras tradicionais e populares usando as madeiras e derivados (parte 1)”, de Ângelo César Neto (Amigo da Cultura de Paredes), 2024, pp. 94-96

 

Março de 2026

Ângelo César Neto

Conteúdo atualizado em20 de março de 2026às 09:23
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