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- Apontamentos da Nossa História: O contraste, ensaiador e ourives da Casa Real António Gaspar Moreira Baltar
Apontamentos da Nossa História: O contraste, ensaiador e ourives da Casa Real António Gaspar Moreira Baltar
O ourives do Ouro e da Prata, António Gaspar Moreira Baltar, da freguesia de Baltar, já foi alvo de um estudo por nós realizado (RIBEIRO, F. 2026) e desse modo, iremos abordar principalmente, a temática relacionada com os fornecedores da Casa Real, em particular os mestres argênteos, da cidade do Porto, no século XIX. Esta denominação surgiu em Portugal no primeiro quartel do século XIX e tratava-se apenas, de um título honorífico. A obtenção dessa nomeação, dava aos seus detentores muito prestígio pois, podiam usar a honrosa designação de «Fornecedores da Casa Real» e a representação das armas reais portuguesas em placas dos seus estabelecimentos comerciais, nos anúncios publicitários, em faturas, cartões, rótulos e noutras expressões ligadas ao seu nome. Deste modo, mostravam a todos a preferência dos soberanos pelas suas peças de ourivesaria, o que por si só era um atestado de qualidade. Mas como se obtinha a concessão de tal importante título? Este título honorífico era atribuído por alvará régio e era requerido pelos pretendentes através da Mordomia-mor da Casa Real que depois registava em livro próprio, para o efeito. Nos requerimentos os interessados podiam justificar o pedido dizendo, por exemplo, que já tinham fornecido a Casa Real, indicando os produtos fornecidos, a visita dos monarcas aos seus estabelecimentos comerciais e também, o privilégio de poder usar as armas reais. Os agraciados tinham de pagar imposto de selo e os respetivos emolumentos e esta atribuição só terminava com a morte do titular e não com a substituição do monarca.
Ao percorrermos o inventário dos «Fornecedores da Casa Real 1821-1910», de Lourenço Correia de Matos, 2009, verificamos que foram poucos os ourives da cidade do Porto que tiveram o privilégio de ostentar esse título honorífico, a saber: 1861, José Aniceto Pinto Monteiro; 1863, Augusto Moreira e Coutinho e ainda a Firma Mourão e Irmão; 1870, Bento Augusto da Costa Guimarães; 1875, a Firma Leitão & Irmão; 1876, 12 de julho, o nosso mestre ourives António Gaspar Moreira Baltar recebeu o título de «Contraste, ensaiador e ourives da Casa Real», (MATOS, L. Correia de, 2009, p.178); 1893, António Alves dos Reis e Filhos e em 1904, José António da Veiga.
António Gaspar Moreira iniciou a sua formação no Porto como aprendiz de ourives do ouro, em janeiro de 1822. Em 1852, regista um punção, letra «A», para poder marcar as sua obras de ourivesaria e anos mais tarde um novo punção «BALTAR», para as peças em prata (VIDAL, M. Gonçalves, 1974, vol. I, págs. 58 e 80). No ano de 1861, paga contribuição industrial e em 1886 ainda se encontra a trabalhar (SOUSA, G. Vasconcelos e, 1 vol. págs. 171-180). Ele também desempenhou o cargo de Contrastador e Ensaiador Municipal, tendo para o efeito criado e registado seis punções com os quais certificava a qualidade do ouro e da prata produzida nas oficinas portuenses. Numa breve pesquisa pela internet encontramos, principalmente em firmas de leilões, as suas marcas de Ensaiador Municipal puncionadas nas peças dos seus colegas de ofício, por exemplo, na «LOT-ART», um par de botões de punho em ouro português do séc. XIX, do ourives António Ribeiro Teixeira, com a marca do ensaiador municipal do Porto, António Gaspar Moreira Baltar e «lotsearch.de», um grilhão com medalha de gramalheira em ouro português, do ourives Serafim Alves Viana, com marca do ensaiador do Porto, António Gaspar Moreira Baltar, datada de 1880-81.
O seu percurso foi longo, mas como referimos no nosso anterior trabalho, sabemos que produziu salvas, bules, e açucareiros, mas infelizmente não os conhecemos visualmente. Contudo, a nossa persistente busca de peças por si produzidas sortiu algum efeito, pois recentemente, encontramos uma colher de chá em prata marcada com o nome «Baltar» que iremos dar a conhecer num próximo estudo. Assim, podemos afirmar com alguma certeza que o seu trabalho foi intenso, pois foi ourives da Casa Real, e teve porta aberta no nº 225, da mais importante rua de ourives da cidade do Porto, a Rua das Flores. As peças de ouro e de prata são valiosas, não se estragam facilmente, nem se deitam fora quando passam de moda. Conservam-se na posse das famílias ou de colecionadores e geralmente passam de geração em geração. Por isso, é por vezes difícil encontrar os artigos produzidos por determinados mestres, tal como nos acontece com este ourives, mesmo depois, de termos procurado em publicações sobre a temática e ainda, nas de coleções particulares.
Maio de 2026,
Flávio Ribeiro (Prof. de História, EBS Cristelo, Paredes).
Fig. 1. Prataria doméstica do século XIX, fundo particular. Imagem de Ocean Pace Visuals.
BIBLIOGRAFIA
MATOS, Lourenço Correia de, 2009, «Os Fornecedores da Casa Real (1821-1910), Dislivro, Lisboa.
RIBEIRO, Flávio, 2026, Mestre Ourives do Ouro e da Prata do século XIX – Baltar, Paredes, Revista Cultural, Orpheu Paredes, págs. 128, 132.
SOUSA, Gonçalo de Vasconcelos e, 2012, «Dicionário dos ourives do ouro, cravadores e lapidários do Porto e Gondomar (1700-1850), 2 vols., UCE Porto, CIONP, CITAR, Porto.
SOUSA, Gonçalo de Vasconcelos e, 2024, «Os ourives na Rua das Flores das oficinas às casas de ourivesaria, um percurso dos séculos XVIII a XIX», in ROCHA, Manuel J. M. da; RESENDE, N. "História da Arquitetura: perspetivas e temáticas (III). A Rua na Estrutura Urbana". Porto: CITCEM, pp. 29-43, Porto.
VIDAL, Manuel Gonçalves, 1974, «Marcas de Contrastes e Ourives Portugueses», 1.º vol. Século XV a 1887, 2.º vol. 1887 a 1950, Imprensa Nacional Casa-da-Moeda, Lisboa.
