Olhemos rapidamente, neste breve texto, para os apontamentos de Agostinho Santos em redor do seu trabalho e da sua vida. Palavras-torre com que o pintor ilustra o seu percurso e a sua biografia. Estamos no campo do ofício, do esforço, desse «exercício diário» que é o desenho, desse exercício diário que é não permitir que a mão descanse, que a mão tire sestas – muito menos que se deixe cair em sonos longos. A mão é uma coisa acordada, tem de ser – a mão de quem escreve, a mão de quem pinta. A mão tem de ser picada por esse ferrete que é o tempo; não há outra maneira de envelhecer.
Gonçalo M. Tavares