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#CULTURA EM CASA // Apontamentos da nossa história | Matrículas de tração animal

#CULTURA EM CASA // Apontamentos da nossa história | Matrículas de tração animal
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17 Junho 2021

Os veículos de tração animal eram fundamentais na circulação de pessoas e bens, assim como na economia rural do nosso país. Os transportes variavam entre carroças, trens, galeras e carros de bois e eram utilizados, na sua maioria no trabalho do campo, no transporte de mercadorias e mesmo em cortejos festivos.

No Arquivo Municipal existe um conjunto de documentos que nos permitem perceber a obrigatoriedade em se registar nos serviços camarários os veículos de tração animal, atribuindo ao seu proprietário um livrete e uma chapa com um número. Esta prática vem no seguimento de regulamentos e decretos publicados pelo poder central com vista a normalizar a circulação de veículos, pessoas e animais na via pública, nomeadamente o primeiro Código da Estrada publicado no Dário do Governo em 1928.

No livro de registos datado de 1942 observam-se os nomes e as moradas dos proprietários, das diferentes freguesias de Paredes, os tipos de veículos, o número de rodas e o tipo de animal (cavalar ou muar, bovino ou asinino), com o respetivo número/matrícula de identificação. Na análise destes registos destaque-se que, de meados do mês de agosto a meados do mês de setembro foram atribuídos 9 números de chapa/matrículas a veículos do tipo Galeras tiradas por dois animais.

A análise desses registos assim como de livretes de anos seguintes verifica-se que os veículos de tração animal utilizados com mais frequência, no concelho de Paredes, eram veículos de duas rodas, puxados por um ou dois animais de espécie bovina. As chapas com o número deveriam ser aplicadas no carro e sempre que circulassem na via pública, o proprietário devia fazer-se acompanhar, do respetivo livrete, sob pena de ser apreendido ou autuado.

Nos livretes foi possível verificar os deveres do proprietário, que tinha que no prazo de 30 dias informar a transferência de propriedade, mudança de residência, transferência permanente do veículo para outro concelho ou a sua inutilização.

O pedido de matrícula mais recente é de 1973 por parte de Eduardo Pregueira, residente no Campo do União – Castelões de Cepeda, Paredes para um veículo de duas rodas com pneus, tirado por um animal de espécie cavalar, destinado ao transporte de mercadorias em serviço particular, sendo o seu local de recolha permanente, o Campo do União. Foi-lhe atribuída a matrícula nº 2543.

Porém, os documentos do Arquivo Municipal permitem-nos perceber que a Câmara Municipal de Paredes fazia o registo e controlo destes veículos desde o princípio do século XX. Em 1913 foi submetido à Câmara Municipal um requerimento por parte de um Alquilador, da então Vila de Paredes, que pretendia obter carta para exercer a profissão de cocheiro. Um outro documento datado de 1937 concede licença para se guiar trens com um ou mais cavalos.

Estamos perante um património que nos ajuda a entender o nosso passado, o passado do concelho de Paredes. Os carros de bois entraram em desuso, são abandonados ou destruídos e com eles as chapas/matrículas. Os livretes também deixam de ser guardados pelas novas gerações.
Vamos recuperar o que ainda for possível.

Junho de 2021

Maria Antónia Silva

Carlos Ferraz

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